Dezembro 15, 2013
Review do álbum ARTPOP da Lady GaGa

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Todo artista pop que se preze, em um momento da carreira, se dá o luxo de fazer um álbum mais experimental e não ligar tanto para os charts. Lady GaGa que sempre foi vista como uma figura estranha, finalmente alinhou sua imagem com a sua música. O ARTPOP é uma coleção de sonoridades estranhas e experimentais, praticamente um vômito de diferentes estilos musicais. A própria cantora explicou recentemente no Twitter: “As letras refletem as realidades do meu processo natural de pensamento caótico. Assim, a transição de pensamentos mais rápida tange liricamente o modo que eu penso”. Talvez por isso que na primeira ouvida ele não impressione tanto como deveria (não é grandioso e viciante de cara como os CDs anteriores), mas cumpre com o objetivo de fazer música pop ousada e gostosa de ouvir. Para criar esse projeto, GaGa recrutou os produtores de música eletrônica Zedd e DJ White Shadow (o que já vale pela mudança de produtores, porque se continuasse com RedOne até hoje como a Katy é com Dr. Luke não seria interessante). Provavelmente vai agradar mais os fãs que os ouvintes em geral, mas ainda assim é uma viagem turbulenta satisfatória.

Aura – A primeira música que vazou e que abre o álbum já mostra que as produções serão cheias de informação nos instrumentos e vocais. A intro com clima de faroeste deixa no ar que o antigo “eu” de GaGa está morto. “Eu matei meu interior e a deixei no caminhão da rodovia 10, coloquei a faca debaixo do capô, se você a encontrá-la, envie-a direto para Hollywood”. Logo depois, uma risada insana toma conta. Uma letra que podia muito bem ser um ataque a cultura do Oriente Médio, pelo contrário, brinca explorando o lado conformista da mulher que usa uma burca e provoca seu parceiro de forma sexual para ver o que há debaixo. “Você quer ter pena de mim porque foi arranjado um homem para me amar? Mas no quarto, o tamanho dele é mais do que suficiente”, GaGa traz o seu lado cômico sexual de volta. O refrão em coro contrasta com o resto por ser cantado de forma doce. O break “Dance. Sex. Art. Pop. Tech.” lembram os bons tempos do The Fame.

Venus – Aqui ela brinca misturando mitologia e astrologia de forma ambígua no que se refere o nome da faixa: tanto a deusa romana do amor e da beleza, quanto ao 2º planeta do sistema solar, além de poder ser interpretada como uma música sobre uma experiência sexual lésbica. O verso “mulher Afrodite, biquini de concha, calcinha de folhas” faz referência óbvia à pintura “O Nascimento de Vênus” de Sandro Botticelli. A faixa tem toda uma vibe espacial que é quebrada com o 1º hook mais calmo cantado de forma marcante e inspirado nas divas club dos anos 90, seguido pelo 2º que ela implora para levá-la para seu planeta ao som de bateria, até que o refrão finalmente chega carregado de batidas eletrônicas. O middle 8 é orgásmico! Ela anuncia o nome de cada planeta como se fosse um desfile do RuPaul’s Drag Race com aquele vocal masculino à la David Bowie. Eu confesso que odiei a música na preview e achei loucura a escolha precoce como single, mas é grower, melhora a cada ouvida.

G.U.Y. – A introdução intergalática falada no começo super combina com o fim de Venus e serve como uma transição perfeita. O humor sexual está de volta nessa faixa que tem título ambíguo: o “cara” na verdade significa Girl Under You (garota debaixo de você). “Sabe, minha maquiagem cai bem em você / Eu não preciso estar por cima para saber que sou desejada / Porque eu sou forte o suficiente para saber a verdade / Vou me deitar virada para cima dessa vez por debaixo de você como um cara”. A brincadeira confusa dá a entender que ela está se relacionando com um gay e quer ser a “passiva” da relação. Os vocais de GaGa no middle 8 estão ótimos. No fim, ela conta de forma nonsense em alemão e grita para o produtor Zedd não parar a música.

Sexxx Dreams – Mais uma música sobre sexo, dessa vez sobre se masturbar pensando num ex bom de cama. Quem nunca teve aquele cara que não dava certo no relacionamento, mas tinham uma química sexual e tempos depois ficou pensando com saudade das coisas safadas que faziam juntos? A midtempo tem batidas hipnotizantes, relaxantes e sensuais com um refrão carregado de synthpop e um middle 8 infectado com um baixo super funky à la Prince.

Jewels N’ Drugs (feat. T.I., Too $hort & Twista) – A tossida de T.I. no começo já dão a dica sobre o conteúdo da música. É uma ode às joias e as drogas, como se GaGa fosse mulher de um traficante. A faixa se arrisca no gênero trap, mas se torna chatinha de ouvir, nada especial.

MANiCURE – Quem conhece GaGa sabe muito bem que ela adora um duplo sentido. O nome da faixa é mais uma brincadeira ambígua que pode significar “manicure” como “curada por homem”. O segundo significado fica mais claro nos versos: “Eu sou a garota que esteve por aí procurando te amar, você é o remédio”. O vocal rasgado ao estilo rockstar acompanhado de guitarras glam-rock é ótimo. O refrão é super cativante (temos as sílabas repetidas ao melhor estilo Poker Face). Adoro os gritos “MANICURE!” ao fundo. Gostei na primeira ouvida.

Do What You Want (feat. R. Kelly) – Uma combinação de electro-R&B obscuro que deu certo por trazer frescor e provar que menos é mais. A produção pode ser simples mas é sofisticada e os vocais de ambos estão ótimos. A letra funciona tanto como se entregar apenas sexualmente para um homem ou um “foda-se!” pros haters. “Escreva o que quiser, diga o que quiser sobre mim (…) saiba que não estou arrependida (…) você não pode ter meu coração e você não usará minha mente (…) você não pode parar minha voz, você não é o dono da minha vida, mas faça o que quiser com meu corpo”. Tá, meu bem? :*

Artpop – A sonoridade da faixa que dá nome ao álbum lembra MUITO o trip-hop de álbuns como Impossible Princess da Kylie e Ray of Light da Madonna e isso é MUITO bom! Esse é o estilo de pop calminho relaxante que eu adoro e me faz viajar ouvindo como se tivesse numa viagem espacial pra Saturno. A letra não parece fazer muito sentido com o título, já que fala mais sobre ela chamando o parceiro para transarem, mas isso não importa, já que sua “arte pop pode significar qualquer coisa”.

Swine – Apertem os cintos porque iremos passear de montanha-russa! É assim que você se sente ouvindo essa música. São várias camadas e ritmos que vão se sobrepondo até o fim do refrão quando um instrumental crescente começa a tocar e parece que você está prestes a descer do pico da montanha-russa aos gritos de “SWINE!” sob uma batida insana de acid techno e industrial. A letra pode servir como uma mensagem direta para o antigo-amigo-agora-hater Perez Hilton. “Você é só um animal tentando agir realmente especial, mas bem no fundo você só é uma víbora. Eu sei que você me quer, você é só um porco dentro de um corpo humano, você é tão nojento”. O vocal rasgado de GaGa carregado de ódio e nojo é como se ela tivesse exorcizando os seus demônios socando um saco de pancadas com a foto do Perez.

Donatella – Um álbum de GaGa não é um álbum de GaGa se não tiver uma música sobre moda. Tivemos “Fashion” (uma unreleased ótima do The Fame), “Fashion of His Love” (uma homenagem ao estilista inglês Alexander McQueen no Born This Way) e agora uma ode a dona da marca italiana Versace. A faixa já começa com um barulho de copo sendo enchido de champanhe e completa a ostentação do luxo com GaGa soltando frases abusadas como se estivesse mascando um chiclete: “Eu sou tão fabulosa, veja só eu sou loira, eu sou magra, eu sou rica e sou um pouco vadia”. As batidas são dançantes e a letra é puro pop ostentação valorizando marcas como Marlboro Lights e Versace, obviamente.

Fashion! – Essa produção de will.I.am e David Guetta é surpreendente se for considerar a farofa que ambos costumam produzir. O piano delicioso na intro te faz pensar por um momento que é a Vanessa Carlton que vai começar a cantar. Liricamente é como se fosse uma continuação de “Donatella” já que valoriza a boa aparência de quem usa moda de alta costura para se sentir bem. Podia muito bem se encaixar na trilha sonora de algum filme de Sex And The City. A voz de GaGa no middle 8 está maravilhosa, principalmente as notas agudas no fim das sílabas. Só achei desnecessário o will.I.am falando francês como se fosse um estilista gay. Ele tem que se meter em tudo, hein? ¬¬

Mary Jane Holland – Uma das minhas favoritas de primeira. É como se fosse uma versão melhorada de “Heavy Metal Lover” (que eu não curto muito). Amo as batidas hipnotizantes na intro. A letra brinca com o duplo sentido que o título significa, o uso da maconha. “Quando eu acendo as chamas e coloco você na minha boca, a grama me esquenta por dentro e minha (versão) morena começa a brotar”. Depois desse middle 8, um breakdown heavy metal leva a faixa para outro nível, a introdução que GaGa faz em megafone é orgásmica! No final ainda tem um barulho de fósforo acendendo um cigarro de vocês sabem bem o quê…

Dope – Poderia muito bem ser uma baladinha com piano preguiçoso e arrastado com clima fúnebre, mas felizmente, há batidas eletrônicas dando um toque de vida à música que parece ser um grito de socorro à um homem que uma drogada em heroína está apaixonada. “Estive doendo por viver chapada por tanto tempo (…) eu preciso de você mais que heroína”.

Gypsy – A grande surpresa do CD, começa discreta só no piano e vai crescendo no refrão que canta sobre a vida de popstar que GaGa leva viajando pelo mundo inteiro fazendo shows sem ter um lugar fixo pra morar, se comparando a uma cigana. Até que tudo explode no dançante “TONIGHT!” cantado como se fosse um hino de arena. Vai ser ótimo ver sendo performada na próxima na tour. Um dos versos perto do final é cantado de forma curiosa, GaGa assume a posição do homem e fala como se fosse o seu parceiro: “Sou um homem sem um lar, mas acho que com você, eu poderia passar o resto da minha vida e você será minha princesinha cigana”. Seria uma referência ao seu namorado?

Applause – O lead single que apresentou os trabalhos da nova era não poderia estar em outro lugar da tracklist que no final. No fim de todo espetáculo, um artista só quer ouvir aplausos pelo trabalho executado. A faixa eletropop que perpetua a reputação de auto-engrandecimento que GaGa tem consigo mesma (“A cultura pop estava na arte, agora a arte está na cultura pop, em mim”) e que brinca com tons vocais à la David Bowie, é uma confissão sincera de que ela vive pelo aplauso, pelos gritos e pelos fãs que a defendem das críticas negativas. Apesar de não ter considerado um single surpreendente no lançamento, já que era um dos comebacks mais esperados do ano, o refrão cresceu em mim e é muito contagiante, impossível ficar parado.

POTENCIAIS SINGLES: Aura, Artpop, MANiCURE, Donatella, Mary Jane Holland.

Dezembro 7, 2013
Review do álbum Prism da Katy Perry

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Pra quem veio de uma era muito bem sucedida com um álbum cheio de potenciais singles (praticamente qualquer música do Teenage Dream poderia ter sido um single), que a definiu como nova rainha dos charts e considerando o ótimo desempenho de todas as suas 8 músicas de trabalho (5 números #1 no Hot 100 igualando o recorde conseguido somente por Bad do lendário Michael Jackson), já era de se esperar muito hype em cima da volta da Katy Perry com o seu terceiro álbum de inéditas. Ao contrário do que os teasers de Roar apontavam (a peruca azul queimada e o visual gótico/dark no promo do VMA), Prism é um álbum que já pela capa mostra que é cheio de músicas leves, ensolaradas e mais experimentais. A primeira metade do CD se mostra mais agitada e a segunda é mais dedicada às midtempos e baladinhas. Uma pena que a sonoridade explorada aqui não é tão cativante como um todo e não mostra uma grande evolução do trabalho anterior, até porque os produtores são os mesmos (a dupla hitmaker Dr. Luke e Max Martin). O controle e a qualidade vocais de Katy estão bem melhores, as músicas são bem produzidas, mas poucas realmente te fazem viciar ao ponto de serem lembradas por um bom tempo. É um álbum que não te faz querer ouvir completo sempre, apenas as favoritas.

Roar – Lead single midtempo com elementos de folk rock. Liricamente, é um hino de força dedicado às pessoas acomodadas sobre descobrir o poder interior para enfrentar as dificuldades diárias da vida com a força comparada a de um leão rugindo. A produção, a melodia e até o significado da música é igual a Brave da Sara Bareilles, talvez porque sejam do mesmo produtor, Dr. Luke. Mas enfim, apesar de ser boa de ouvir, esperava algo mais dark, tipo uma Circle The Drain 2.0.

Legendary Lovers – Fora os singles e as promocionais, essa é minha favorita, seria a melhor escolha como 3º single (depois de Walking On Air). A produção tem uma vibe tribal, um toque místico. Ela fala sobre uma mulher que vem de um relacionamento ruim e depois de todo sofrimento encontra um homem perfeito pra juntos formarem um casal de amantes lendários. O middle 8 é onde eu atinjo um orgasmo ouvindo: um breakdown com instrumental de bhangra toma conta com uns ecos indianos da Katy no fundo. Imagino o clipe e as performances dela fazendo a Jade nessa parte <3

Birthday – Já não existem canções com esse nome suficientes? Madonna, Rihanna, Selena. A música fala sobre Katy ter machucado os sentimentos de um cara e querer se redimir. A letra que parece inocente acompanhada do baixo com pegada de verão à la Prince/Mariah (delicioso de ouvir), na verdade é uma metáfora safadinha pra ela fazer com que todos os dias do cara com ela sejam como um aniversário, que ela vai ser o presente dele e “dar algo bom” pra ele comemorar. Pra meio entendedor, meia palavra basta rs. O “happy birthday” sussurrado é super Marilyn Monroe, adorei haha.

Walking On Air – Melhor música do Prism, DEVIA ser o 2º single depois de tanta aceitação positiva dos fãs. A faixa produzida por Klas Åhlund (escritor de Piece of Me da Britney, Speakerphone da Kylie e boa parte do Body Talk da Robyn, sente só o poder) é um hino gay delicioso! É obviamente inspirado pelo house que fazia sucesso nos clubes dos anos 90 como do hino Finally da CeCe Peniston. A letra é basicamente sobre um sexo tão bom que te faz sentir nas nuvens.

Uncontionally – Escolhida como 2º single por ser a canção favorita da Kátia, essa faixa é uma baladinha com batidas poderosas e meio futurísticas. É como se ela estivesse tentando convencer ao seu parceiro perder o medo e receio e se libertar para um amor incondicional. O contexto também serve pra qualquer forma de amor. Apesar da mensagem bonita (“então, venha como você é pra mim, não precisa de desculpas, você sabe que é valioso”), eu particularmente acho o refrão repetitivo e a música chatinha, não me cativou.

Dark House (feat. Juicy J) – Primeiro, o que é aquele barulho macabro de uma criança falando se mesclando com a batida hipnótica? A vibe é construída por batidas frias de hip-hop e palmas. Os vocais poderosos da Katy e o rap do Juicy J dão o tom nesse hino urban maravilhoso, totalmente diferente de tudo que ela já fez, só por isso já podia ser single. A letra é meio mística, é como se ela fosse uma bruxa avisando ele pra tomar cuidado com ela, porque ela pode ser a última que ele vai ter. Hino das mulheres possessivas?

This Is How We Do – É uma música com a cara do verão dos anos 80 com letra despretensiosa, mas mesmo assim super divertida e criativa e ótima pra escutar naqueles momentos preguiçosos, tipo uma The Lazy Song do Bruno Mars da vida. Uma mistura explosiva de pop com hip hop. Poderia estar facilmente na tracklist do Teenage Dream.

Internacional Smile – O comecinho instrumental me lembra o de Cupid Boy da Kylie. A essência geral dessa produção pop é que um sorriso se traduz em todas as línguas, “de Tóquio para o México para o Rio”. A melhor parte é o middle 8 quando tudo para e uma aeromoça começa a falar - na mesma hora lembrei daquele bloco com mesmo tema do Victoria’s Secret Fashion Show de 2006.

Ghost – O clima começa calminho mas o refrão traz mais energia e luz pra música. A letra faz clara referência ao fim do casamento com Russell Brand, inclusive a mensagem que ele enviou dando fim ao relacionamento deles. “Cada promessa de ‘para sempre’, mas você apertou o botão de enviar e desapareceu diante dos meus olhos e agora você é apenas um fantasma”. Os “now now now” no final com uma batida melancólica é delicioso de ouvir.

Love Me – Produzida pelos incríveis Bloodshy & Avant (Toxic e outras maravilhas pop), tem uma batida dançante sueca. Ela fala sobre aprender a amar a si mesmo do mesmo jeito que quer ser amado.

This Moment – Quando a batida começa, você jura que a Robyn vai começar a cantar, lembra muito a sonoridade dela. É sobre viver os momentos como se fossem os últimos, com intensidade, porque não haverá como voltar no tempo.

Double Rainbow – A balada escrita pela Sia que podia ser muito melhor do que é. Apesar da batida edificante e épica no refrão, a letra é bobinha: compara a dificuldade de encontrar uma pessoa que combine com você com um duplo arco-íris…

By The Grace Of God – Uma baladinha de superação à base do piano. É sobre a decepção amorosa com o Russell Brand que a deixou arrasada e com a ajuda da irmã e de Deus ela conseguiu enfrentar e dar a volta por cima.

Spiritual – Midtempo em grande estilo. Sonoridade sofisticada e muito reminiscente do Ray of Light da Madonna (principalmente com a épica Frozen), do Seal e da Lana Del Rey. O contexto é de um amor espiritual, mágico, puro. A bateria no middle 8 é incrível. Uma delícia de ouvir!

It Takes Two – Essa midtempo é sobre uma mulher que cobra muito do parceiro mas esquece que o relacionamento é feito de duas partes, que precisa ser menos exigente e começar a enxergar os próprios defeitos também.

Choose Your Battles – A faixa que fecha a versão deluxe do Prism dá uma energia ao fim do CD depois dessa metade de músicas mais calminhas. Retrata um cara briguento que só destrói a relação com a parceira que cansa de discutir com ele e deixa as decisões nas mãos dele. As batidas lembram um pouco t.A.T.u.

POTENCIAIS SINGLES: Walking On Air, Legendary Lovers, Dark Horse, Spiritual.

Novembro 16, 2013
Review do álbum Bangerz da Miley Cyrus

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Esse é o CD que marca o afastamento da Miley dos trabalhos anteriores ligados à Disney, Hannah Montana e música pop chiclete para pré-adolescentes da Holywood Records (ela agora é da RCA). Aqui ela não tem medo de dizer palavrões, mostrar que não está nem aí pros haters e que quer fazer o que a deixa feliz, sem pressões de ser perfeita ou um exemplo pra ninguém. Para trabalhar um novo som e inovar, ela inteligentemente decidiu não pegar carona na modinha de música eletrônica e recrutou dois grandes produtores de hip-hop para dar a sonoridade que ela queria pra esse novo trabalho: Mike Will Made It e Pharrell Williams. Miley revelou na entrevista pra Ellen que o Bangerz é uma história sobre o relacionamento com o Liam Hemsworth. O álbum é uma das viagens pop mais irregulares e surpreendentes deste ano – há momentos agitados e divertidos com batidas de hip-hop, assim como baladinhas românticas mais calmas. Não considero melhor que o Can’t Be Tamed por achar este mais coeso, mais redondinho e por ser mais puxado pro dance que eu curto mais. Mesmo assim, o Bangerz é um álbum que marca o amadurecimento da carreira musical da Miley sem parecer pedante.

Adore You – É curioso que Miley tenha escolhido abrir o álbum com uma baladinha pop à base de piano.  A letra romântica é de um relacionamento que a mulher se sente mais envolvida que o cara, mais necessária da presença dele.

We Can’t Stop – O lead single que nos apresentou o novo trabalho e a nova sonoridade que ela seguiria é uma ótima midtempo com influências pop, R&B e dance. A letra é sobre uma festa caseira com os amigos, mulheres bundudas, bebida, sexo e drogas. Há referências intencionais para o uso de cocaína (“trying to get a line in the bathroom” e MDMA “dancing with Molly”). É um grande “foda-se” pros haters, super gostosa de ouvir. Poderia ser muito bem uma faixa do próximo álbum da Rihanna.

SMS (Bangerz) (feat. Britney Spears) – Ao contrário dos seus álbuns anteriores, Miley nunca foi muito adepta dos featurings. No Bangerz, como era de se esperar, eles são frequentes e quase exclusivos só de rappers, se não fosse por uma pessoa: Britney, a única “bitch” que ela queria no álbum. A faixa-título é infelizmente uma oportunidade desperdiçada para ambas e uma decepção: além de ter menos de 3 minutos, ter uma sonoridade e vocais nada cativantes e a participação de Britney é resumida em menos de 30 segundos. A letra fala basicamente sobre atitude, estilo, swag. Sinceramente, esperava mais do Sean Garrett, mesmo produtor da maravilhosa Toy Soldier do Blackout.

4x4 (feat. Nelly) – A grande surpresa, uma faixa com influência country (do pai) com participação do Nelly, fala sobre uma mulher que está fugindo com o namorado no carro e promete fazer de tudo para pagar a fiança, caso seu macho vá para a cadeia. Um curioso verso sobre sexo com o seu peão: “É meia-noite e eu não quero festa, meu grande namorado e meu caminhão de passatempo, um pouco de sujeira não faz mal a ninguém, agora eu tenho sujeira por todo o meu corpo”.

My Darlin’ (feat. Future) – A produção é meio sombria, a qualidade da letra que fala sobre a falta que os parceiros sentem um do outro é questionável (“fique comigo porque nós vamos fazer um filme e vai ser em 3D”?!) e não parece sincera, ainda mais com os vocais do Future alterados pelo auto-tune. O único momento favorável é o middle 8 com uns ruídos instrumentais característicos da Lana Del Rey.

Wrecking Ball – Escolhida de forma curiosa pra ser o 2º single, essa balada synthpop produzida pelo Dr. Luke fez Miley vir literalmente como uma “bola de destruição” e conseguir seu 1º hit número #1 na Hot 100 da Billboard. Tudo bem que a maior parte do sucesso veio das visualizações do vídeo polêmico no YouTube, mas a música tem seu valor por mostrar um lado mais vulnerável da cantora. Ela canta sobre um amor poderoso, mas ao mesmo tempo destruidor. O lançamento da faixa uma semana depois do fim do noivado com Liam foi certeiro e caiu como uma luva.

Love Money Party (feat. Big Sean) – Com uma batida de fundo parecida com aquelas de trilhas de filmes de terror, a música parece falar sobre casinhos de uma noite, mas que a mulher começa a gostar do cara. A letra também brinca com as contradições da vida: quem diz que dinheiro não é nada, quando consegue ter, não pensa em outra coisa a não ser nele; o mesmo se aplica ao amor e as festas. O título da música me lembrou Money, Love, Happiness da Britney que entraria no finado Original Doll.

#GETITRIGHT – Assovios, guitarra, baixo, uma vibe com frescor de verão. Como é produção do Pharrell, você pode liga-la ao som dos hits simultâneos que o mesmo participa: Blurred Lines e Get Lucky. Conteúdo lírico: uma mulher que quer apressar a relação pros finalmentes antes que o fogo acabe. Adoro os vocais mais fortes da Miley no middle 8.

Drive – Melhor faixa do Bangerz, ponto final. As batidas obscuras reminiscentes do dupstertcombinam com os vocais roucos e raivosos de Miley que canta sobre precisar deixar alguém, mas não querer acabar completamente a relação.

FU (feat. French Montana) – Outra com influência dubstep. Aqui ela encarna seu lado Adele e fica furiosa com o cara que ela era apaixonada quando descobre coisas no celular dele com outra. No refrão ela deixa bem claro que quer que o namorado se foda: “Eu tenho duas letras pra você, uma dela é F e a outra é U”. Só lembrei de Circles da Xtina, adoro essas hinos de pisadas nos haters HAHA

Do My Thang – Única produzida pelo will.i.am, é o que eu adoraria que ele fizesse pra Britney no novo álbum. Como tudo que vem dele, a letra não é das melhores, mas a música é livre, sobre tomar as rédeas das suas escolhas e fazer o que tiver vontade, bem a fase atual da Miley. O segundo verso da música cheio de “bitches” é uma clara influência da Britney. Hino para twerkar.

Maybe You’re Right – Mais uma baladinha maravilhosa. Com influências country, rock e gospel e um refrão com ecos de um coro à la Coldplay/30 Seconds To Mars. Mais uma letra de lamentações sobre um cara que não se envolve amorosamente da mesma forma que ela.

Someone Else – Ótima mistura de hip-hop e synthpop. Em alguns momentos, o Mike Will sai da sua zona de conforto e até flerta com o house dando uma vibe Confessions On A Dance Floor. Quando Miley canta o 1º verso “I used to believe this comfort” até me lembra os melhores momentos do ótimo sucessor, Can’t Be Tamed. Aqui ela vê que o amor na vida real é diferente da perfeição dos filmes e afirma ter se tornado outra pessoa.

Rooting For My Baby – A produção do Pharrell fala sobre o lado ruim de um relacionamento quando o outro parceiro está passando por momentos difíceis e a parceira entende e tenta confortá-lo. Achei fofo o verso: “Se você estivesse aqui, eu te daria uma cerveja e penduraria a sua roupa”.  A sonoridade calminha com violão bem anos 70 lembra Sugarfall, outra faixa que seria do Original Doll da Britney.

On My Own – O baixo dessa música é uma delícia! Funk fresco sofisticado e os vocais da Miley estão ótimos, com atitude, soul e atrevidos. “Quando você fala sobre seus sonhos, eu nunca estou neles. Eu preciso parar de sonhar sozinha, acordar e fazer sozinha”. Beijo no ombro pros namorados egoístas que só pensam em si mesmos :*

Hands In The Air (feat. Ludacris) – A versão deluxe do Bangerz termina com essa maravilha que mistura hip-hop clássico com synthpop. Super Rihanna, podia ser muito bem dela ou ter um featuring. O rap do Ludacris no middle 8 é o mais bem aproveitado de todos no CD, só que ele se acha um pouquinho na composição: “Eu sou top 5, morto ou vivo, um dos melhores para rimar / E se eu sempre tomar o lugar, resistirei ao tempo / Todo verso, toda música e toda parceria, eu estive lá / É melhor você saber que eu abuso disso / Se eu morrer antes da hora, continuarei vivo através da música / Deixei claro para a indústria, mas essa merda ainda me bloqueia/ Mesmo no caminho para o céu, o Luda permanecerá no top”. Se não fosse bônus do deluxe, diria que poderia ser uma escolha fácil para single.

POTENCIAIS SINGLES: Drive, Do My Thang e Someone Else.

Novembro 10, 2013
Review do álbum Living For The Weekend das The Saturdays

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Depois de um álbum de eletrônico consistente e de qualidade como o On Your Radar, era de se esperar com ansiedade por um novo trabalho das Sábadas. Só que essa nova era foi marcada por um marketing confuso e mal feito (só depois de 4 singles, o CD foi lançado!). Um lead single que parecia um single avulso já que nada sobre um novo álbum havia sido falado ainda. Um 2º single que serviria como tentativa de entrar no mercado americano (apoiado pelo reality show Chasing The Saturdays no E!) mas que falhou nos charts de lá e que ironicamente deu o 1º #1 delas na terra delas, o UK. Sem falar na gravidez de 3 (!) integrantes nesse meio tempo, o que impossibilitou o grupo de performar algumas vezes sem as 5 integrantes juntas. Primeiro Una na época da gravação do clipe de 30 Days, depois Rochelle em Gentleman e Frankie em Disco Love. O nome do álbum tem tudo a ver com o nome do grupo: viver para o fim de semana. Não vai decepcionar nenhum que gosta das faixas dançantes ou as baladinhas românticas delas. Mas ainda assim, soa um amontoado de músicas sem um conceito por trás. Ainda espero por um álbum mais coeso e que eleve o som delas pra um nível respeitável como o que as Girls Aloud conseguiram, principalmente com o Out of Control.

What About Us (feat. Sean Paul) – O 2º single do álbum que apresentou as meninas pro público americano no reality show Chasing The Saturdays ironicamente não conseguiu bons resultados nos EUA, mas foi finalmente o 1º nº #1 delas no UK. A faixa dançante fala sobre um cara que não sabe o que quer pro relacionamento e a mulher coloca ele na parede para se decidir ou colocar ela no comando.

Disco Love – O 4º single é sobre uma divertida balada do amor embalada por música disco que soa bem mais cativante que What About Us. O clipe faz uma viagem do tempo por estilos de várias décadas, incluindo uma referência à Baby One More Time da Britney cantada pela Mollie (fãzoca assumida s2).

Gentleman – O 3º single mais diferente e a grande surpresa do álbum. Quem esperaria The Saturdays emulando o urban dos anos 90? É de alguma forma uma amostra da evolução da sonoridade delas. Apesar do som retrô, a letra é bem atual: um questionamento do porquê os homens de antigamente eram mais cavalheiros do que os atuais que só ficam e depois te deixam. Destaque pro rap citando uma lista de homens atuais de qualidade meio questionável, exceto pelo verso espirituoso: “Escuto eles falarem que eu preciso de um Kanye, ele não é um cavalheiro” haha. Elas dão a dica: “Você não é uma dama se você está sempre de joelhos” :x

Leave A Light On – A letra fofinha fala sobre a necessidade de estar longe do seu amor provavelmente por causa do trabalho delas e pedir pra ele deixar uma luz acesa pois ela voltará. O refrão explode com as batidas de tambores e o vocal da Una que encaixa perfeitamente. O middle 8 também é épico. Uma obra-prima em forma de midtempo.

Not Giving Up – Melhor música do álbum que soa Sábadas (na era On Your Radar) do começo ao fim. Com versos que falam sobre uma atração que te atinge de uma bem forte e que te faz não desistir do amor, seria fácil esperar por uma baladinha, mas não. Elas entregam isso em forma de hino pras boates com direito à vários orgasmos: seja no pré-refrão, no refrão, no pós-refrão ou no middle 8.

Lease My Love – Produzida pelo Darkchild (Overprotected Remix, He About To Lose Me, When I Grow Up, Telephone), me agrada mais nos versos antes do refrão, as batidas gostosas. Mas quando chega no refrão, brocho. Os vocais da Rochelle e as repetições me irritam um pouco. O middle 8 com um toque eletrônico dá uma melhorada. O fim de um relacionamento por mentira da parte do cara é contada de uma forma meio estranha: “Você pode alugar meu amor, mas você não pode enganar meu amor”. Oi?

30 Days – O 1º single que na verdade nem foi anunciado como lead single do álbum (já que na época nem tinha noção que haveria um novo CD), acabou sendo lançado de forma randômica mas de forma favorável. As batidas EDM com uma letra meio melancólica sobre estar com saudade de alguém que está longe e contando os dias para vê-lo.

Anywhere With You – Super pop, o refrão soa como algo do Teenage Dream. Esse é um hino pros amantes psicóticos que não conseguem viver sem seu parceiro por perto e passam o dia sentindo falta deles.

Problem With Love – Faixa dançante com clima obscuro. A letra parece uma continuação da anterior: “o problema com o amor é que é tão difícil viver sem ele”. Os vocais poderosos da Vanessa tomam conta do refrão. O middle 8 tem um dubstep envolvente.

You Don’t Have The Right – Ballad card. A produção baseada no piano e instrumentos de orquestra é caprichada. A música fala sobre aquele ex que te fez sofrer no passado e acaba sempre voltando fingindo que ele mudou e que tudo vai ser diferente. Frankie tem mais destaque vocal aqui. Meu momento favorito é Una começando o verso depois do 1º refrão, timbre maravilhoso, poderoso, sombrio.

Don’t Let Me Dance Alone – Música dançante fazendo referência ao clássico “I Wanna Dance With Somebody” da Whitney Houston. Letra bobinha sobre uma mulher que gastou tudo num vestido caro e em sapatos desconfortáveis e quer ser notada pelo cara e não ser abandonada na boate dançando sozinha rs.

Somebody Else’s Life – O instrumental do começo lembra um pouco What About Us e o refrão é rave pura. Essa faixa animada foi trilha de abertura do reality Chasing The Saturdays e não poderia ser outra. É uma homenagem à Los Angeles, a magia que a cidade tem de fazer qualquer um lá se sentir uma estrela famosa. 

Wildfire – Essa delícia dançante que fecha o álbum foi b-side do single de Gentleman mas felizmente foi lançada na tracklist do álbum. Fala basicamente sobre um flerte na balada enquanto os dois estão se acabando de dançar botando fogo na pista.

POTENCIAIS SINGLES: Not Giving Up e Leave A Light On.

Novembro 10, 2013
Review do álbum Avril Lavigne

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Não se engane pela capa obscura, séria e o nome do álbum que pode te remeter a um álbum pessoal cheio de baladinhas pedantes. É até irônico pensar que um CD com uma embalagem assim é super divertido, quase uma continuação do The Best Damn Thing, graças a Deus bem diferente daquele marasmo que foi o Goodbye Lullaby. A produção do álbum conta com o marido Chad Kroeger (vocalista do Nickelback) e Martin Johnson. Aqui Avril não tem vergonha de ser quase uma trintona fazendo música pop pra adolescentes. O lado pessoal que o nome do álbum pode remeter é algo mais nostálgico de lembrar-se da fase que ela começou a carreira, experiências de adolescente. É praticamente o Teenage Dream da Avril Lavigne.

Rock N Roll – 2º single que me ganhou mais que o 1º. Adoro esse pop rock que a Avril sabe fazer muito bem, uma coisa meio patty meets caminhoneira. A letra fala sobre o sentimento de liberdade de não ligar pro que os outros consideram o padrão. Adoro o verso: “Eu não ligo se sou desarrumada, prefiro isto do que essa modinha hipster de merda” :*

Here’s To Never Growing Up – O lead single midtempo que começou os trabalhos do álbum retrata uma crítica recorrente sobre Avril na mídia: ela não amadurecer musicalmente. Ela afirma que está aqui pra nunca amadurecer. Até o clipe tem um momento nostálgico quando ela revive seus momentos se sk8er girl :P

17 – Pop rock in its finest! Super gostosinha de ouvir, com violão ao fundo, a cara do verão. A música fala sobre a descoberta do amor na adolescência, viver de forma estúpida e selvagem sem ligar pra nada, bem o espírito das experiências que a maioria de nós vivemos nessa idade.

Bitchin’ Summer – O comecinho me lembrou o Jesse McCartney no começo da carreira, violão presente também, mais um hino do verão. Avril abraça mesmo o seu lado mais pop nesta faixa. O middle 8 tem uma vibe Emblem3.

Let Me Go (feat. Chad Kroeger) – Baladinha destruidora, instrumental impecável. O que mais me chamou atenção na faixa foi o claro amadurecimento da voz da Avril como nunca antes. Ela não soa uma adolescente, soa como uma mulher que está tentando se livrar das lembranças de um amor do passado. Apesar de ter torcido o nariz pro feat. com o marido no início, a voz do Chad combinou com a música.

Give Me What You Like – Continuando numa vibe mais calma, Avril está exigente nessa música obscura com vibe country que fala sobre as trocas vulneráveis entre um homem e uma mulher. Dá a entender que o que ela queria é que o cara soubesse aprender a amar, mas já que não consegue, que dê o que pode, que ela dará o que ele gosta. Algo como troca de favores sexuais casuais? Lembrei de Get Mine, Get Yours da Xtina.

Bad Girl (feat. Marilyn Manson) – O featuring mais inesperado e o melhor do álbum. Um hino heavy metal com aqueles efeitos de megafone nas vozes de ambos dando uma vibe Call Me do Blondie. O refrão me lembra a trilha sonora do filme A Noiva de Chucky. A letra brinca com a fantasia do cara mais velho com a menina mais nova e danadinha.

Hello Kitty – Quem diria que Avril iria flertar com uma sonoridade pop como a da Gwen no Love. Angel. Music. Baby. e com o famigerado dubstep da música eletrônica? Encaixaria perfeitamente naquela atmosfera rosa do The Best Damn Thing. A letra é a mais bobinha do álbum, uma ode à gatinha japonesa (os fãs japas vão amar), mas vale pela diversão.

You Ain’t Seen Nothin’ Yet – Sobre um romance quente com um cara, letra bem sugestiva sexualmente e batida pop rock clássica de um hit. Highlights: “Você é tão gostoso, estou pulando as preliminares, não pare querido, agora me segure firme para este passeio de montanha-russa”. Passeio de montanha-russa, sei rs.

Sippin’ On Sunshine – Gente, Brave 3.0? A batidinha nos primeiros versos lembram muito Roar/Brave. Quando o refrão começa, juro que vai começar Just For One Day do Emblem3. Letrinha bobinha sobre dias ensolarados. Mais um hino pro verão.

Hello Heartache – Os “la la la” ecoados no começo e o timbre retraído da Avril dá um toque indie na faixa que ela lamenta a despedida de um parceiro que foi perfeito ao contrário dela que cometeu erros. 

Falling Fast – É uma música calminha que fala sobre se apaixonar rapidamente por um cara que apareceu na vida dela de repente. Seria sobre o Chad Kroeger?

Hush Hush – O álbum que começa super divertido e agitado, termina relaxante com músicas mais calmas e sobre relacionamentos amorosos. A letra é bem interessante: o fim de um amor que te deixou várias perguntas sem respostas, mas que ambos preferem seguir adiante sem tentar resolver a relação. Isso me lembrou do meu último relacionamento que terminou do mesmo jeito. O middle 8 é uma delícia de ouvir. Um ótimo jeito de fechar o álbum, uma midtempo cativante e sincera.

POTENCIAIS SINGLES: 17, Bad Girl, Bitchin’ Summer, Give You What You Like It.

Novembro 3, 2013
Review do álbum Music To Make Boys Cry da Diana Vickers

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Pra quem não conhece, a Diana Vickers é uma das maravilhosas revelações do talent show X Factor na sua versão britânica. Ela participou da temporada de 2008 chamando a atenção dos jurados pela aparência casual, peculiar e principalmente pelo vocal com um charme rouco que lembra Ellie Goulding imediatamente. Diana conseguiu ficar no concorrido Top 6 das Girls, categoria que geralmente é a mais forte e ainda teve a honra de ser mentorada pela Cheryl que soube explorar bem o seu potencial versátil nos live shows. Mas infelizmente, como costuma acontecer com artistas indies nesses programas, Diana era too cool para o X Factor e infelizmente acabou em 4º lugar. Contudo, quem conhece a franquia, sabe que isso não significa nada. Muitos vencedores nunca conseguiram real destaque no mercado e muitos que ficaram posições abaixo mostraram ter o famoso pacote completo para sobreviver no mundo competitivo do mainstream. Três anos depois de um debut álbum delicioso – Songs From The Tainted Cherry Tree – e de gravadora nova, ela está de volta mais madura, mais mulher, mais sensual e com um álbum com a proposta ousada de ter músicas para fazerem os caras chorarem.

Music To Make The Boys Cry – A faixa que abre e dá nome ao CD começa os trabalhos através de um synthpop delicioso que te faz viajar escutando. A compositora mais ilustre é a Miranda Cooper, uma dos membros do grupo de produtores fodásticos Xenomania (criadores da sonoridade das Girls Aloud e de outras divas pop europeias maravilhosas). A letra dá o recado: “Não preciso fazer você me amar, tenho a mim mesma e quero fazer música pra fazer os garotos chorarem”.

Cinderella – O lead single do álbum é mais uma parceira com a Miranda Cooper (que co-escreveu todo o álbum junto com a Diana) e mais um synthpop com influências da sonoridade dos anos 80 em alguns instrumentos. Lembra um pouco a Robyn. A letra fala da mulher que não tem medo de viver os sonhos vendo a vida passar e que por causa do bofe “perderia tantos sapatos” só pra ele ir atrás dela.

Lightning Strikes – Não é ruim, nem ótima, é uma filler que não chama muito atenção até o middle 8 que parece ser um featuring com a Kylie – a voz de fundo lembra muito o timbre da deusa australiana. Só por isso vale a ouvida.

Dead Heat – Essa já me conquista pelas batidas obscuras de intro. Diana se declara sem medo: “Não é uma questão de vida ou morte, mas se eu tivesse que escolher entre o amor e a respiração, eu sacrificaria o sol, eu não teria que pensar, ‘para sempre’ é um inferno de um longo tempo sem você”. Os “without you” que ela fica ecoando no fim de cada verso são ótimos, dá uma atmosfera espacial pra música. O finalzinho me lembra muito a sonoridade do The Fame da GaGa e as Monrose (extinta girlband alemã).

Boy In Paris – Flertando com uma vibe Eurythmics, a música é uma ode ao amor em Paris. A letra fala basicamente de uma noite perfeita em que a Diana dança no escuro e flerta com um cara francês que ela nem sabe o nome. Quem nunca?

Mad At Me – Grita anos 80! Entre as cornetas e baterias, ela descaradamente pede perdão ao namorado depois de ter chegado tarde em casa por ter pulado a cerca - “Eu prometo que foi só um beijo, bebê” – e ainda faz a vingativa lembrando que o namorado já tinha beijado a vizinha HAHA

Smoke – Aqui o CD dá uma acalmada nos ritmos com essa midtempo com letra fofinha sobre a ela encarando o fim de um namoro bancando a durona: “Se eu chorar, não é porque meu coração está quebrado, é só por causa da fumaça que está nos meus olhos”. O ponto alto da música é no middle 8 que as batidas eletrônicas aumentam e os “da da da dam” ecoados lembram muito a voz da Fergie.

Mr. Postman – Mistura do som dos anos 60 com uma letra divertida que critica a tecnologia “chata”, diferenciando o homem tradicional que manda cartas do que vive no mundo digital e “não deixa nenhum rastro de papel” pra mantê-lo na mente. Verso de destaque: “Não quer dizer que somos amantes só porque você me segue no Twitter”.

Better In French – 2ª faixa com tema França e parece uma continuação de Boy In Paris, já que fala basicamente sobre festejar com um francês “porque o amor é melhor em francês”. As batidas intro com os gemidos já dão a vibe dançante do álbum Body Language. Os vocais da Diana nos versos antes dos refrões lembram MUITO a Kylie. Podia ser muito bem uma música dela, fora que as pronúncias de palavras em francês é super Kylie, né? Rainha poliglota.

Blame Game – Pop perfection! Lembra um pouco a sonoridade de Call The Shots das Girls Aloud (sdds L), ou seja, é uma midtempo com melodias doces e eletrônicas que te fazem viajar pra Saturno ouvindo *-* A letra fala sobre um jogo de culpa e ambiguidade que ela não sabe se quer ficar perto do cara ou quer se afastar por medo dos riscos. PFVR, SINGLE PRA JÁ COM CLIPE LINDO <3

POTENCIAIS SINGLES: Blame Game, Dead Heat, Smoke.

Outubro 28, 2013
Minha review do álbum Trouble da Natalia Kills

Todo artista que é bem recebido pela crítica com um 1º álbum teme o sucessor porque sabem que todos vão colocar muita expectativa para superar ou se igualar ao anterior. Em se tratando de Natalia Kills, já sabemos que o álbum vai ter sonoridades predominantemente obscuras e letras ácidas como ponto forte. Trouble segue essas regras, só que podemos ver uma Natalia Kills mais vulnerável, abrindo as feridas mais íntimas de sua vida e expondo sem medo, além de baixar a guarda um pouco e mostrar que é capaz de lamentar um amor perdido. Mas sonoramente falando, apesar de ser um produto bom como um todo, ainda acho o Perfectionist melhor. O próprio nome já dizia: a Natalia foi super perfeccionista em dar o melhor trabalho logo de cara. Mas isso não tira o mérito de Trouble de ser um álbum sucesso bem satisfatório, acima da média.

Television - O álbum já começa com barulho de sirenes policiais dando o tom. A faixa introdutória com presença forte de bateria e guitarra fala exatamente sobre os policiais que tiraram tudo dos pais dela, fazendo uma metáfora com a televisão, já que na vida dura real dela ela não podia mudar e fingir que tudo estava bem. Detalhe pra referência ao apresentador Jerry Springer, conhecido por seus programas com casos reais e baixaria (bem ao nível Casos de Família) que fizeram grande sucesso nos anos 90. No último verso, ela diz que a televisão era sua única companhia quando ela tava sozinha em casa enquanto os pais passavam esses problemas.

Problem - Natalia se coloca no papel de garota-problema que se sente muito atraída sexualmente por um cara que não liga pra fama de má dela. O instrumental cheio de batidas fortes e guitarra é maravilhoso, lembra aquela vibe obscura que a fez famosa no Perfeccionist. A batida do clímax junto com o rap dela dá pra dar uma boa twerkada ou performar todo trabalhado no swag.

Stop Me - Aqui ela culpa o pai por ter transformado-a num monstro e ela fala que precisa de alguém que possa pará-la ou que possa cometer erros junto com ela. Provavelmente deve relatar algum envolvimento real que ela tenha vivido quando o pai estava preso e ela estava perdida na vida. AMO a sonoridade dessa música, o timbre doce dela no middle eight me faz viajar <3

Boys Don’t Cry - A faixa começa com ela cantando docemente pro cara não abraçar ela forte como se gostasse muito dela porque “garotos não choram”. A letra fala basicamente de uma mulher que usa um cara como toyboy, divertimento sexual dela. Mais uma vez, presença forte de guitarra e bateria.

Daddy’s Girl - Com uma intro de “Rich Girl” (1977) do duo Hall and Oates, a música segue aquela linha de “Criminal” da Britney, moça rica apaixonada pelo bad boy que é capaz de fazer de tudo por ele. Destaque ao timbre da Natalia no pós 1º refrão (“Rich girl got the bad boy love”) que lembra muito a voz da Gwen Stefani.

Saturday Night - Uma letra bem pessoal que fala sobre as agressões físicas que a mãe dela sofria do pai mas escondia e fingia que tudo estava bem diante dos outros, além da época em que perderam tudo para “policiais corruptos”, foram presos e ela ficou sozinha. Uma frase que ela se define resume tudo: “Eu sou uma maldita tragédia adolescente”. A voz da Natalia no clímax tá uma delícia!

Devils Don’t Fly - Os ecos de uma voz masculina no fundo lembra as músicas da Lana Del Rey. Com produção sofisticada, a referência ao filme “Sid and Nancy” me faz pensar que ela quis retratar algum amor louco que ela viveu quando estava sem os pais, perdida. No refrão, ela se compara a um demônio tentando voar, provavelmente pra se libertar dos momentos ruins que passava e só tinha esperança de continuar por causa do cara.

Outta Time - O instrumental é composto basicamente de bateria e guitarra. As batidas e o vocal dão uma vibe de canção country antiga, algo inesperado vindo da Natalia, talvez por isso tenha sido escolhida como próximo single. Aqui ela deixa um pouco a acidez lírica de lado e lamenta a perda de um amor do passado que ela acreditava ter dado certo se o cara tivesse dado uma chance a ela.

Controversy - Adoro a introdução sinfônica contrastando com uma mulher vintage xingando palavrões. O clima é cortado com uma batida insana acompanhada dos versos da Natalia cantando como se estivesse em um púlpito falando todos os podres da sociedade, uma vibe meio “Bad Kids” da GaGa. Durante o refrão, ela canta freneticamente pra “beber o ki-suco” (ou como uma crítica à propaganda para o consumo de massa) enquanto uma outra voz grita pedindo que não. Não vejo muito potencial comercial, mas imagina o clipe LOUCO que teria essa música?

Rabbit Hole - A letra mais polêmica do álbum: uma professora que se relaciona sexualmente com um aluno. A expressão “go down the rabbit hole” de Alice no País das Maravilhas aqui aparece num contexto mais safado se referindo quando o parceiro tenta penetrar o ânus sem avisar. Tem também referência à Ke$ha na frase “Cause I eat boys like a cannibal / Fuck hard, howl at the moon like an animal” e completa dizendo que eles vão transar como coelhos. As batidas são viciantes e o vocal de Natalia lembra mais uma vez Gwen Stefani.

Watching You - Nesta midtempo, Natalia lamenta que de todos os caras estúpidos que ela conhecia, ela foi logo se apaixonar por esse que ela descreve. Ela ainda não o esqueceu, mas ele já seguiu em frente. Um trecho marca bem a mágoa dela: “Se eu não posso ter você, então ninguém terá” :x

Marlboro Lights - Baladinha com mais uma lamentação de fim de namoro de um cara que ela sente falta, só que aqui parece bem mais sincero com o piano melancólico de fundo.

Trouble - Mais um fundo que lembra a sonoridade da Lana Del Rey. A música tem uma batida pra cima apesar de falar sobre a garota-problema que Natalia se autointitula e pede a companhia de um parceiro que a apoie mesmo nos piores momentos. Desfecho perfeito pro álbum já que engloba tudo que ele representa. Meu verso favorito: “Salve sua inocência para a próxima vida / Nunca deixe eles fazerem você pensar duas vezes / Quando os destroços voam / Por que esta vida não dura para sempre, querido”.

POTENCIAIS SINGLES: Television, Stop Me, Daddy’s Girl, Rabbit Hole, Trouble.

Outubro 27, 2013
Minha review do álbum Stars Dance da Selena Gomez

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Definitivamente, este é o álbum mais dançante, eletrônico e o melhor da Selena. É um passo importante na carreira dela porque além de ser o primeiro solo (sem aquela banda avulsa The Scene), é a partir daqui que ela mostra que quer ser vista de forma diferente, que não é só mais uma atriz-da-Disney-que-virou-cantora. Stars Dance é um retrato da Selena mais madura, descobrindo sua sexualidade.

Birthday - É definitivamente uma faixa ousada para abrir um álbum. Com barulho de palmas, Selena avisa que toda noite ela festeja como num aniversário. Gemidos com batidas insanas dão até um tom obscuro, mas os versos seguintes soam infantis. É como se fosse uma adolescente tentando parecer a M.I.A. Mas mesmo assim, o saldo é positivo por ser uma faixa cheia de personalidade e TOTALMENTE diferente de qualquer coisa que a Selena já cantou antes. Adoraria ver um clipe da Selena cheia de swag e atitude.

Slow Down - Muito bem escolhido como 2º single, segue todos ingredientes para virar hit: dubstep carregado na bridge e o refrão pulsante com ecos de “oh, oh, oh” com óbvia influência de Till The World Ends da Britney.

Stars Dance - Midtempo com introdução obscura de batidas frias de dubstep e orquestra, é uma daquelas faixas electropop sensuais e classudas com vocais robóticos que te fazem viajar ouvindo.

Like A Champion - QUE ISSO, GENTE? FUNK, REGGAE? É a Man Down da Selena, tem até aqueles “ron pon pon pon pon” que a Rihanna fazia. No mínimo interessante.

Come And Get It - É o single que Selena nos introduziu à sua nova fase mais madura e sexualizada. Assumindo a influência de Britney em Slave, ela flerta com as sonoridades sensuais orientais. Enquanto ecoa aqueles sons do indiano no fundo, dá pra fazer a Jade/Maya na balada.

Forget Forever - Poderia muito bem ser um hit da September. Lembra muito as melhores músicas da sueca, principalmente no instrumental pulsante e melancólico que embala o refrão. Muito gostosa de ouvir.

Save The Day - GRITA pra ser o 3º single! Super dançante, animada e te faz ficar dançando no refrão que repete freneticamente “d-d-d-d-d-d-day”. No clímax, Selena lembra das suas origens com os “ho eh” carregados de influência pop latina. Poderia ser facilmente um single da J.Lo (e bem mais original que essas farofas uós que ela vem lançando com o Pitbull tentando repetir o sucesso de On The Floor).

B.E.A.T. - Introdução com voz distorcida por vocoder à la Marina and The Diamons em “Homewrecker”. Depois batidas de funk tomam conta e no clímax a vibe fica bem hip-hop. Exótica, mas não diz muito a que veio.

Write Your Name - O modo que ela pronuncia o 2º “write your name” lembra muito as t.A.T.u. Você jura que vai ser uma midtempo até que a bridge e o refrão explode dançante mudando a sonoridade da música pra algo mais animado. Um rap dançante no middle eight é a cereja do bolo.

Undercover - Dançante, mas que soa meio sem personalidade e sem acrescentar nada de novo. Até que surge um violão na bridge preparando terreno para as batidas pulsantes e super dançantes de rave no refrão.

Love Will Remember - Hum, finalmente uma midtempo (a única, ainda bem que não é cheio delas como o DEMI rs). O refrão parece ser cantado por um vocal masculino também. Gostosa de ouvir, mas também não é nada demais que se destaque nem mesmo num álbum repleto de canções dançantes.

Nobody Does Like You - Gente, é eurodance anos 90 do começo ao fim *-* O vocal da bridge lembra muito esse subgênero musical maravilhoso <3 Não podia faltar dubstep também, claro.

Music Feels Better - Dançante, animada, positiva. Mas nada que a faça se destacar das demais até agora.

Lover In Me - O começo te faz pensar que vai ser um novo summer anthem mas o refrão é bem mediano, eu diria até infantil. Funcionaria melhor nos álbuns anteriores dela rs. A única boa de verdade é o instrumental gostoso no final.

I Like It That Way - Uma farofa filler só pra preencher mesmo espaço e fazer os “fãs” gastarem mais querendo comprar a versão deluxe pra ISSO. Não é ruim, mas não é inovadora, totalmente esquecível.

Sad Serenade - Pelo nome você jura que é uma baladinha chata que vai acabar o álbum de forma uó, mas começa prometendo ser midtempo e fica uptempo no refrão. Fecha o disco de forma adequada e a melodia é bem gostosa, meio nostálgica.

POTENCIAIS SINGLES: Save The Day, Forget Forever, Stars Dance, Nobody Does Like You, Write Your Name, Undercover.

Outubro 27, 2013
Minha review do álbum Nothing To Lose do Emblem3

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O debut álbum do trio conhecido por ter participado e ficado em 4º lugar no X Factor USA 2012 é uma coleção de músicas de verão açucaradas com pitadas de reggae, rap e urban em que muitas soam parecidas ou continuações das anteriores. Mesmo assim, é satisfatório ouvi-lo.

Just For One Day - A percurssão tropical te faz imaginar uma paisagem ensolarada. Bem a cara do som que já conhecemos deles, ótima pra começar os trabalhos do álbum.

Spaghetti - Outra uptempo. Letra despretensiosa de gosto duvidoso que diz basicamente que eles vão fazer espaguete e tudo vai ficar bem rs.

XO - Cheira a single de longe. Bem gostosa de ouvir, refrão pra cantar junto e continua com aquela melodia californiana marca deles (com assoviados ao fundo), mas com uma pitada urbana. A voz do Keaton (o mais novo e mais bonito na minha opinião) está super alterada pra esconder a falta de afinação.

Chloe (You’re The One I Want) - Lead single que mais uma vez traz o som característico deles, só que mais pop. Presença forte dos raps do Drew nos versos pré-refrão. A letra preenche a cota daquele clichê de valorizar uma menina com baixa auto estima (What Makes You Beautiful, anyone?), no caso, a irmã da menina é mais cobiçada, mas eles querem a outra mais underrated. O clímax é a cereja da faixa e meu momento favorito do álbum.

Girl Next Door - Parece a parte 2 da faixa anterior. A letra fala de uma garota da vizinhança que chama atenção deles. Palmas e batidas preenchem o instrumental. Nenhuma novidade interessante por aqui.

Nothing To Lose - A faixa que dá título ao álbum tem sonoridade hip-hop. A letra tem citações à grandes hits atuais (Teenage Dream da Katy Perry e Call Me Maybe da Carly Rae Jepsen) e é sobre um cara tentando convencendo uma menina a superar a timidez e transar com ele, dizendo que é diferente dos outros e que ela não vai cantar músicas de fim de relacionamento como a Taylor Swift rs. Mesmo papinho clichê de todo homem que quer comer logo uma mulher.

I Love LA - Como o título já presume, a música é uma declaração ao estado da Califórnia. Quase uma sequência masculina de California Gurls da Katy Perry, pelo menos o refrão lembra um pouco aquela vibe. Destaque pro clímax em que os meninos citam as cidades mais conhecidas da região.

Sunset Blvd - Uma continuação da exaltação de Los Angeles, foi essa música que chamou atenção dos meninos mundialmente na audição do X Factor USA 2012. Eles já haviam gravado uma versão em estúdio antes de ficarem famosos, mas sempre torci por uma versão mais caprichada e aqui está \o/

3000 Miles - Uma baladinha gostosa no piano que lamenta a distância entre eles e uma menina que deixaram longe (provavelmente na costa lesta, no frio). No clímax, mais uma vez colocam toneladas de efeitos pra tentar melhorar a voz do Keaton :S

Teenage Kings - Nesta faixa pop rock eles estufam o peito, ficam arrogantes e fingem ser reis adolescentes (ou seriam na cabeça das meninas?). Adoro o violão que começa a música e a batida instrumental no middle eight.

One Day - Aqui eles flertam com o groove de reggae que te faz se imaginar numa rede tomando alguma bebida de frente pro mar. A letra tem conteúdo político e social sonhando com uma utopia onde não haveria mais guerras, violência, ódio e a igualdade reinaria. O instrumental no final é uma delícia também.

Do It All Again - É dançante e fala basicamente sobre aquelas festas malucas que adolescentes adoram se jogar, perder a noção do tempo, não lembrar de nada no dia seguinte e quererem fazer tudo de novo. Nada de especial, só uma filler pra encher espaço na setlist.

I Wish - Não chega a ser ruim, mas é só mais uma filler pra terminar o álbum. Eles desejam que a cama fosse uma ilha e que eles e a garota aproveitassem a paisagem “bebendo cocos como se fossem vinho branco”. Única coisa que me chamou atenção foi o solo de violão antes do clímax.

POTENCIAIS SINGLES: Just For One Day, XO, Spaguetti, Sunset Blvd, Teenage Kings, One Day.

Outubro 25, 2013
Minha review do álbum Girls

O debut álbum da girlband formada no reality show Fábrica de Estrelas do Multishow comandado pelo produtor Rick Bonadio (o mesmo por trás da maior girlband que o Brasil já viu, o Rouge) pode ser divido em duas metades: a primeira cheia de batidas dançantes genéricas (exceto algumas ouvíveis) e se salva mais na segunda metade do CD com as baladinhas e midtempos onde a produção se mostra mais caprichada.

Monkey See Monkey Do - Tem farofa mais genérica que essa? O featuring com o Aggro Santos (rapper brasileiro que fez carreira em Londres) soa disperço numa música confusa que mistura inglês e português de forma estranha.

Shake Shake - Os riffs de guitarra no início me lembrou “Pá Pá Lá Lá” do álbum Blá Blá Blá do Rouge, mas o que é a referência “Hoje é dia de rock, bebê” da Christiane Torloni? E mais uma vez a mistureba nonsense de línguas super cafona “I’m a little crazy, um pouquito loca”? HAHA Tem rap no clímax do mesmo jeito que Aline/Karin faziam nas músicas do Rouge. A música é um vômito de vários estilos e acaba sendo confusa.

Paraíso - O instrumental que mistura violão e batidas dançantes já dá dicas que a faixa tem cara de hit de verão. O clímax eletrônico é bem legal e o instrumental no fim te faz pensar que você acabou de escutar uma música do Lasgo ~sdds~. A primeira faixa interessante do álbum.

Acenda A Luz - A primeira baladinha necessária em qualquer CD de girlband. Aqui elas soam menos genéricas, dá pra perceber melhor os vocais delas (o timbre da japinha lembra muito o gostoso da Patrícia do Rouge s2), gostosinha de ouvir. Se elas fossem mais bem divulgadas, essa poderia ser um hit.

Chegou A Nossa Vez - Instrumental reciclado de Monkey See Monkey Do, efeitos robóticos nas vozes, tão genérica quanto o 1º single. A letra é abusada com aquela atitude forçada que ele quer que elas tenham como o Rouge tinha rs.

Estilo Hollywood - A batida rave de introdução é bem interessante. Letra wannabe “Popstar” do Rouge (desculpa gente, mas o Rick não escondeu que copiou os mesmos elementos delas pra tentar implacar). Mesmo assim, é boa de ouvir.

Molha Sua Boca - Midtempo com batidas obscuras e letra mais sensual. Curti, só não sei quem é esse Suave que faz o rap.

O Mundo Dá Voltas - Baladinha com featuring MIKA, uma voz masculina bem gostosa de ouvir. O instrumental é de longe o mais caprichado e sofisticado do álbum, um alívio no meio de tanta farofa genérica.

Ramón - Parece que todo mundo adora ter uma música que fala sobre um flerte com um latino (Alejandro da GaGa, Fernando do ABBA). As batidas são à la Gasolina do Daddy Yankee e a letra fala sobre um latino que chama atenção de todas as mulheres, um porto-riquenho que dá título à música. Rap com frases impagáveis como “Sí eres flaca, Ramón es vitamina! / Si tienes diabete, Ramón es insulina! / Si te gusta viajar, Ramón ten las turbina! / Y si te gusta los motores, Ramón es gasolina!”.

Me Faz Reviver - É dançante, batidas obscuras, mas esquecível. A única coisa que gostei foi a bridge. A letra parece falar sobre a vontade de uma garota se sentir viva de novo pelo sexo (“Minha temperatura tá subindo mais e mais, essa abstinência eu preciso resolver, meu corpo é viciado, você tem o que ele quer”). Pra bom entendedor, meia palavra basta.

24 Horas - Uma midtempo gostosinha de ouvir. Os riffs de guitarra e os vocais podem até te fazer lembrar os bons momentos do Rouge. Mais uma prova de que elas funcionam bem mais nas músicas mais calmas.

Como Uma Flor - Tem a cara do verão e os vocais tão ótimos acompanhados do violão. Já imagino o clipe num lual na praia, os cabelos delas todos trabalhados nas flores, vestidos floridos.

Nunca Mais - Fala sobre a decepção de uma traição e a força pra seguir em frente. Boa de ouvir.

Guerreiras - O Rick sempre deixava a última música dos CDs do Rouge pra alguma composição mais pessoal com alguma mensagem bonita, de força, agradecimento. Aqui não é diferente. Obviamente fala da luta das meninas em suas vidas para conseguir o reconhecimento profissional. A participação de Negra Li é super bem vinda. Detalhe pro “jamais” no fim  de cada refrão cantado em agudo à la Spice Girls.

POSSÍVEIS SINGLES: Paraíso, Estilo Hollywood, O Mundo Dá Voltas, 24 Horas, Como Uma Flor